Advocacia na Mira da IA: Como Seus Próprios Processos Públicos Estão Armando o Inimigo
- ATS Tecnologia

- 12 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Por: Jonas Santiago - Diretor Técnico da ATS Tecnologia e ATS Cloud

Grandes escritórios de advocacia sempre foram alvos preferenciais de cibercriminosos devido
ao valor inestimável dos dados que guardam: segredos industriais, fusões e aquisições (M&A)
não anunciadas e dados pessoais sensíveis. No entanto, uma nova e perigosa realidade: a
Inteligência Artificial Generativa (GenAI) transformou a maior força de um escritório — sua reputação pública e produção intelectual — em sua maior vulnerabilidade.
A Maldição do Conteúdo Público
Diferente de empresas de tecnologia que guardam seus códigos a sete chaves, escritórios de
advocacia vivem da publicidade de seus atos. Petições, sustentações orais gravadas, artigos em blogs jurídicos e perfis detalhados de sócios no LinkedIn são a norma. No contexto da IA Generativa, este material não é apenas "marketing"; é dado de treinamento.

A IA precisa de contexto para ser convincente. Para um escritório de advocacia, esse contexto está disponível publicamente nos diários oficiais e nos repositórios dos tribunais (como e-SAJ, PJe ou Eproc).
Anatomia de um Ataque Baseado em Engenharia Social
1. O Ataque:
Como se daria um ataque moderno? Um cibercriminoso utiliza uma LLM (Large Language
Model) para raspar milhares de páginas de petições assinadas por um Sócio Sênior do escritório.
A IA aprende não apenas o vocabulário jurídico ("data venia", "outrossim"), mas a sintaxe
específica, o tom e até os vícios de linguagem desse advogado.

Em seguida, o atacante monitora o diário oficial. Assim que uma decisão importante sai em um processo de alta cifra, a IA gera um e-mail de phishing direcionado ao departamento financeiro ou a um advogado júnior.
A Isca:
O e-mail não pede apenas "clique aqui". Ele diz: "Prezado [Nome do Júnior], conforme o despacho de hoje no processo [Número Real] da [Vara Real], precisamos antecipar as custas recursais para evitar a preclusão. Segue a guia atualizada."
O Perigo:
O contexto é perfeito. A linguagem é idêntica à do sócio. O senso de urgência é justificado pelo andamento processual real. Até mesmo a voz do sócio pode ser clonada (deepfake audio) em uma mensagem de WhatsApp para confirmar a transação, treinada com base em palestras disponíveis no YouTube.
2. O Papel da Equipe de TI Interna
Diante de ataques gerados por máquinas, a defesa manual é insuficiente. A equipe de TI interna deve assumir um papel de governança, focando na implementação de ferramentas que utilizem a própria IA para combater a IA ("Fogo contra Fogo”). Isso inclui sistemas de e-mail que analisam padrões semânticos anômalos, e não apenas remetentes desconhecidos.
3. A Necessidade de um Parceiro Estratégico (SOC) e Políticas de Infosec

Dada a complexidade e a velocidade desses ataques, é improvável que uma equipe de TI interna de um escritório consiga monitorar o ambiente 24/7 com a profundidade necessária.
É prudente a contratação de um Parceiro de TI especializado para montar um SOC (Security Operations Center). Um SOC externo traz:
Vigilância Contínua:
Monitoramento de ameaças em tempo real, reduzindo o Mean Time to Detect (MTTD).
Políticas de Infosec Robustas:
O parceiro pode ajudar a reescrever as políticas de segurança da informação. Isso inclui implementar protocolos de "Zero Trust" (Confiança Zero), onde nenhuma transação financeira ou envio de documento sigiloso é aprovado apenas por e-mail ou mensagem, exigindo validação multifator ou presencial.
Conclusão
A era em que o phishing era repleto de erros ortográficos acabou. Para grandes escritórios de
advocacia, a ameaça agora veste terno, fala "juridiquês" fluente e conhece os prazos processuais melhor que os estagiários. A proteção da confidencialidade do cliente exige agora uma simbiose entre a expertise jurídica e uma infraestrutura de cibersegurança avançada, apoiada por parceiros que dominem a defesa com contraInteligência Artificial.
Metáfora Estratégica: O Cavalo de Troia de Vidro
Imagine que o seu escritório de advocacia é uma fortaleza impenetrável, com muros altos
(Firewalls) e guardas atentos. No entanto, as paredes dessa fortaleza são feitas de vidro
transparente.

Todo o trabalho que vocês produzem — as teses brilhantes, as defesas públicas, as vitórias nos tribunais — é visível para quem está de fora. A Inteligência Artificial Generativa é o artista que observa através desse vidro e esculpe um "Cavalo de Troia" idêntico aos seus próprios soldados.
O inimigo não precisa mais arrombar o portão; ele entra pela porta da frente, usando o crachá de um sócio e falando com a autoridade de quem conhece cada detalhe do castelo.
Neste cenário, a única forma de distinguir o reflexo falso da realidade é ter um sistema de
vigilância (SOC) que não olhe apenas para a aparência (o e-mail ou a voz), mas que analise a
"respiração" e o comportamento microscópico de quem entra. Sem um parceiro tecnológico
para instalar esses sensores avançados e criar as regras de engajamento (Políticas de Infosec), o seu escritório corre o risco de abrir os cofres para um fantasma criado à sua própria imagem.
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